terça-feira, 27 de abril de 2010
Eu costumo caminhar pelas ruas
Eu ando pelas ruas e olho as pessoas que passam por mim. Andar pela cidade, olhar milhões de pessoas que talvez você nunca mais verá, trombar, sorrir, desviar, a rotina da cidade enlouquece. As pessoas são doentes, e eu também. A diferença é que sei que estou doente; elas, não. Praticam atos sem saber o por quê. Reproduzem todos os atos que já viram anteriormente, mas acham que estão inovando, inventando, criando. Eu sei que não. Busco descobrir caminhos por mim mesma, caminhos que não sou capaz de ver até que me dê conta de que existem. Muitos já descobriram esse mesmo caminho, muitos já se acharam, já se decidiram, mas cada um tem que achar seu próprio caminho, no seu próprio tempo. Tenho medo da doença das pessoas. É por isso que, às vezes, isolo-me, distancio-me, afasto-me da convivência humana. Todos caminham, como se algo os levasse, um força externa a eles, não conseguem perceber que a maioria de suas atitudes são imotivadas. Ninguém consegue perceber quantos atos desperdiçamos achando que temos razão em praticá-los. E quantos são os atos que verdadeiramente importam? Quais são os atos que verdadeiramente nos mudam e aos outros? Eu sei que eu também sou doente. Costumo olhar nos rostos das pessoas na rua e tento imaginar pelo que estão passando, será que sofrem como eu? Percebo que são mais doentes que eu porque não conseguem perceber os reais sofrimentos que passam, porque não os assumem. Preferem rir e mostrar ao mundo que tudo está bem e que não há problemas, que são belas e podem desfilar pela rua sem que causem nenhuma dor ou má impressão.