Queria dizer que, se outro dia fiquei te dizendo da minha morte, não foi porque queria que me imaginasse assim, e que supusesse a dor desse momento. Muito longe disso.
Na verdade, tenho até a loucura de imaginar que não haverá dor, nesse momento.
Nas vezes em que vislumbrei o que lhe confidenciei no escuro: de que pensara algumas vezes que você presenciaria minha morte, o que imperava em mim era a vida. Assim, quero te explicar que esse pensamento se fez por encanto, por esperança.
Tenho comigo esse anseio de companhia na morte, onde se lê no avesso, anseio de companhia no percurso da vida. Vida e morte para mim não devem ser escritas com esse “e”. Devia-se ler em cada uma, vida-morte. É uma idéia já esgotada, mas que eu não carrego como idéia, mas como verdade surgida da vida. Vida-morte é do que se trata estar vivo. Acordar e dormir. Estar vivo é viver ressuscitando das mortes, para logo morrer de novo. Todo dia, a todo instante.
E o que aconteceu em mim, e isso é absolutamente particular, foi que a palavra vida ficou com a carga de todos os significados falsos. Vida carrega tudo o que se diz e se faz e se justifica em nome dela e que a mata: todas as violências, desrespeitos e assassinatos. Que na maioria das vezes se fazem sorrindo, enchendo a boca para dizer em–nome-da-v-i-d-a.
Para mim, Graças a Deus (e a vida?), a morte guardou alguma sombra. Nela é possível silenciar e descansar, para ver. É nas mortes que eu conheço a vida. É no escuro que eu vejo. Não que eu deixe de viver e passar pela vida clara. Mas a minha consciência mora no escuro.
Tudo isso, pra tentar te explicar minha declaração de amor. Se eu sonho com você na morte, é porque te amo.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
O gozo e a palavra II
Amada Psique,
Novamente lhe encontro no gozo.
Esse nosso amor desencarnado, em que nos tocamos por palavras.
Também lamento o que me tornei: um corpo em pedaços.
Mas, chego a fazer lágrima, por encontrar companhia nesse destino.
Psique querida, não desista agora!
Nosso amor fará nossa casa. Não aquela que sonhamos.
Mas uma cheia de letrinhas...
Novamente lhe encontro no gozo.
Esse nosso amor desencarnado, em que nos tocamos por palavras.
Também lamento o que me tornei: um corpo em pedaços.
Mas, chego a fazer lágrima, por encontrar companhia nesse destino.
Psique querida, não desista agora!
Nosso amor fará nossa casa. Não aquela que sonhamos.
Mas uma cheia de letrinhas...
Minha bandeira
“Eu nasci pra carregar bandeira”. Escrito: esperança.
Muito cedo, revoltei. Que raios de missão é essa?
Passei maior tempo entre a cruz e a espada.
Mas, quando se é recebido no mundo com bandeira, não se constrói rosto.
Passei menor tempo sem rosto e sem bandeira. E, logo peguei bandeira de novo, para me apresentar ao novo.
E, de novo, cá estou, tentando nascer.
Muito cedo, revoltei. Que raios de missão é essa?
Passei maior tempo entre a cruz e a espada.
Mas, quando se é recebido no mundo com bandeira, não se constrói rosto.
Passei menor tempo sem rosto e sem bandeira. E, logo peguei bandeira de novo, para me apresentar ao novo.
E, de novo, cá estou, tentando nascer.
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