domingo, 30 de outubro de 2011
Por que não?
sábado, 1 de outubro de 2011
eu
Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho achado graça nenhuma. Eu sei, vocês são testemunhas e vão me chamar de ingrata, de chata, rabugenta, louca. Eu sei de tudo. Sei onde a graça está. Eu vejo. Mas não acho. Minha atenção está deslocada. Saiu do lugar. E foi pra lugar nenhum. E lugar nenhum é lugar de todos. Não estou sozinha. Mas não posso encontrar ninguém. Queria que soubessem de onde vem meu olhar perdido, a falta de riso, o adeus sem mais. Tento fazer o exercício de retroceder e encontrar o que foi que me possuiu e me deixou assim. Mas não se trata do sofrimento alheio de todos os dias, não se trata da solidão e precariedade dos que acompanho. Não se trata disso. Eles até me aliviam. Eu penso mesmo é que isso é obra do tempo. Muito já passou. Muito já se perdeu. Muito já se sabe – dizer isso me entedia ainda mais, porque eu sei que se trata da mesquinhez melancólica... Queria aquilo do Pessoa, da pessoa nascida a cada instante. Sou nascida há mais de trinta anos. E pior, assumo a condição. Isso torna tudo muito, mas muito sem graça.
Se vocês vissem, a Lara, 5 anos, chorando porque bateu a cabeça na janela, ao ficar de pé nela, desconhecendo o próprio tamanho... ela sim, tem graça. E o Davi, nem um mês de vida, usando toda sua força para levar as mãos até a cabeça, mexer a língua, esticar as pernas, não sair do lugar e por fim balbuciar “agu”... faz chorar!
E eu? Eu aqui, levando eu adiante. Esse projetinho de 31 anos tão sem graça, tão certinho... Porque resumimos a vida ao eu? Estou farta disso. Quero um lugar sem eu... preciso sair do Sério.
Minha Alma (A Paz Que Eu Nao Quero)
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?"
As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!
Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido...
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
O Rappa - letra que serve de inspiração para a vida e para todos que conservam sua paz sem se importar com o mundo a sua volta...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Declaração de amor
Na verdade, tenho até a loucura de imaginar que não haverá dor, nesse momento.
Nas vezes em que vislumbrei o que lhe confidenciei no escuro: de que pensara algumas vezes que você presenciaria minha morte, o que imperava em mim era a vida. Assim, quero te explicar que esse pensamento se fez por encanto, por esperança.
Tenho comigo esse anseio de companhia na morte, onde se lê no avesso, anseio de companhia no percurso da vida. Vida e morte para mim não devem ser escritas com esse “e”. Devia-se ler em cada uma, vida-morte. É uma idéia já esgotada, mas que eu não carrego como idéia, mas como verdade surgida da vida. Vida-morte é do que se trata estar vivo. Acordar e dormir. Estar vivo é viver ressuscitando das mortes, para logo morrer de novo. Todo dia, a todo instante.
E o que aconteceu em mim, e isso é absolutamente particular, foi que a palavra vida ficou com a carga de todos os significados falsos. Vida carrega tudo o que se diz e se faz e se justifica em nome dela e que a mata: todas as violências, desrespeitos e assassinatos. Que na maioria das vezes se fazem sorrindo, enchendo a boca para dizer em–nome-da-v-i-d-a.
Para mim, Graças a Deus (e a vida?), a morte guardou alguma sombra. Nela é possível silenciar e descansar, para ver. É nas mortes que eu conheço a vida. É no escuro que eu vejo. Não que eu deixe de viver e passar pela vida clara. Mas a minha consciência mora no escuro.
Tudo isso, pra tentar te explicar minha declaração de amor. Se eu sonho com você na morte, é porque te amo.
sábado, 2 de outubro de 2010
O gozo e a palavra II
Novamente lhe encontro no gozo.
Esse nosso amor desencarnado, em que nos tocamos por palavras.
Também lamento o que me tornei: um corpo em pedaços.
Mas, chego a fazer lágrima, por encontrar companhia nesse destino.
Psique querida, não desista agora!
Nosso amor fará nossa casa. Não aquela que sonhamos.
Mas uma cheia de letrinhas...
Minha bandeira
Muito cedo, revoltei. Que raios de missão é essa?
Passei maior tempo entre a cruz e a espada.
Mas, quando se é recebido no mundo com bandeira, não se constrói rosto.
Passei menor tempo sem rosto e sem bandeira. E, logo peguei bandeira de novo, para me apresentar ao novo.
E, de novo, cá estou, tentando nascer.